quinta-feira, maio 09, 2013

Mundo das Ideias

Lá no mundo das ideias,
ela parece próxima

Lá no mundo das ideias, 
Platão me diz: isso dá prosa! [Cadê a rima? rs]

Lá no mundo das ideias,
o distante é mais bonito,
o mundo? não é aflito

Lá no mundo das ideias,
eu sinto o perfume dela. (de perto)

Lá no mundo...das ideias,
eu a beijo, e como num lampejo,
ela enfim, realiza seu desejo (sinto a respiração ofegante)

Mas este, é apenas o meu desejo,
o mundo das ideias, e Platão,
não são tangíveis.
Assim como a moça,
de modos, nada plausíveis.

segunda-feira, maio 06, 2013

Labis Labis¹
Comprei um Lápis
Escrevi um poema
Mas foi um problema

Ele era chato
Parecia um retrato

Do mundo infeliz

¹ Laís sz
O Medo

Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas
do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.

Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.

Carlos Drummond de Andrade

(A Rosa do Povo, 1945)

sexta-feira, março 22, 2013

"Toda paixão envolve o triunfo da esperança sobre o autoconhecimento. Nós nos apaixonamos esperando não encontrar no outro o que sabemos estar em nós mesmos - toda a covardia, fraqueza, preguiça, desonestidade, comprometimento e estupidez bruta. Jogamos um laço de amor sobre o escolhido, e decidimos que tudo o que cair dentro de algum modo estará livre de nossos defeitos e, portanto, digno de ser amado. Localizamos no outro uma perfeição que nos ilude dentro de nós mesmos, e por meio da união com o amado esperamos de alguma forma manter (contra evidências de todo o autoconhecimento) uma fé precária na espécie."

Alain de Botton - Ensaios de Amor

sábado, fevereiro 23, 2013

Às vezes o que a gente precisa é de um bom interlocutor.
POEMA DE AMOR

Este é um poema de amor
por isso nele
não poderá faltar
a menção a alguma
flor
e por isso digo
rosa
ou lírio
ou simplesmente
rubro,
rubro
e espero as páginas
imantarem-se
de vermelho
por isso digo
febre
e noite
e fumo
para dizer
ansiedade e
desperdício de sêmen e de horas
e cigarros à janela
acesos como estrelas
com a noite numa ponta
e nós
consumindo-nos
na outra
este é
definitivamente
um poema de amor
por isso nele
devo dizer casa
e olhos
e neblina
e não devo dizer
que o amor é uma doença
uma doença do pensamento
uma desordem que põe tudo o mais
em desordem
uma perda que põe tudo
a perder
e porque é
um poema de amor
sob pena de ser devolvido
como uma carta sem destinatário
(e todos sabem que não se deve
brincar com os correios)
este poema deve dirigir-se
a alguém
porque a alguém o amor deve ferir
com sua pata negra
e então
à falta de outro
este poema
eu o dedico (mas não tema,
o tempo
também nisso
porá termo)
a você.


Ana Martins Marques
(...) mas não tenho muito fôlego narrativo. Minha praia é mesmo a poesia. "
Eu a quero
escrevo no papel
e espero

Felicidade
onde está você?
No papel
apenas projeto

Falta o concreto.

Jubs

sexta-feira, janeiro 25, 2013


Cortar relações
e depois voltar-se
verificar se o que restou
suporta
remendo
demorar-se
sobre a cicatriz
do corte

(guardar
por precaução
a tesourinha
para mais tarde)

Ana Martins Marques

terça-feira, outubro 16, 2012


RUMO AO SUMO

Disfarça, tem gente olhando,
Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.
Outros olham para baixo,
procurando algum vestígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.

Leminski.

quinta-feira, agosto 23, 2012

Estupor


esse súbito não ter
esse estúpido querer
que me leva a duvidar
quando eu devia crer

esse sentir-se cair
quando não existe lugar
aonde se possa ir

esse pegar ou largar
essa poesia vulgar
que não me deixa mentir

Paulo Leminski

terça-feira, junho 12, 2012

Nós saberemos



"Há um lugar no coração que nunca será preenchido
Um espaço, e mesmo nos melhores momentos
E nos melhores tempos
Nós saberemos
Nós saberemos mais que nunca
Há um lugar no coração que nunca será preenchido
E nós iremos esperar e esperar
Nesse lugar."

Bukowski


Depois dessa, um drink pufavô! rs

Durante um tempo fiquei numa casa



"Nunca me senti só. Durante um tempo fiquei numa casa, deprimido (...), mas nunca pensei que uma pessoa podia entrar na casa e curar-me. Nem várias pessoas. A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só."




Charles Bukowski

sábado, junho 09, 2012

A IDADE DO CÉU - MOSKA



Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...

Não somos
O que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...

sexta-feira, maio 25, 2012

Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico 
mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás
 do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto
 e sofro antes, durante e depois de te encontrar.


Sumi porque não há futuro e isso não é o mais
difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais
fluido que o ar.


Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu 
sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, 
sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco
e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi 
para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais
por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.


Martha Medeiros

é como uma bêbada que atravesso os dias


é como uma bêbada que atravesso os dias
por intuição do caminho


as reações que em outros são previsíveis
a mim acontecem de inopino


não me pertenço
a verdade em mim são os detalhes da mentira


meus pormenores, ácidos
o que não lateja me entorpece


consumir-se é vício
legalizem-me já


Martha Medeiros

segunda-feira, maio 21, 2012

Em 6/01/2010 - Fragmentos de um discurso....


(...)Então lá vai...
Também sou romântica, de uma forma mais..., conhece Álvares de Azevedo?, ele é da época do romantismo, ultra romantismo eu diria... e eu AMAVA ele, quando eu tinha meus 17, 18 anos... acreditava piamente que,  existia a mulher intocável, perfeita, e que o amor era incrível e que eu morreria por alguém. Passou, hoje prefiro Drummond, realidade, o amor é bonito, mas não é perfeito. Sou uma romântica desacreditada em alguns momentos.

Não gosto de mentir, omitir às vezes... coisas desnecessárias, sem relevância pra mim é uma coisa que eu faço às vezes. Mas mentir, não.

Também olhava as nuvens, quando eu tinha mais tempo livre, menos problemas... e gostava de olhar as estrelas também, com revistas, que mostravam as constelações, e tentava encontrá-las, minha mãe achava que eu tinha algum tipo de problema. Por olhar tanto pro céu.

Eu tinha um diário, aliás....dois.

Tive agorafobia, fiz terapia

Gosto de sentir saudade, tenho que sentir saudade

Sou careta, com crises de loucura

Sou calma com crises de desespero

Gosto de observar minha gata... me acalma

Queria levar você na minha casa

Queria levar você na escola que eu jogo às vezes, só pra me exibir.

Me achava super inteligente e bem informada, mas agora, só acho isso dentro dos limites de Caucaia.

Adoro soltar Pérolas, leio as coisas pela metade e acho que já sei de tudo.

Gosto da Hebe

Gosto de desenhos animados da minha infância.

Queria voltar a ser criança, sabendo tudo que eu sei hoje

Gosto de decoração

Gosto, amo azul

Tenho dificuldade de me relacionar por muito tempo com as pessoas

Enjoo de pessoas

Gosto do meu espaço

Não penso em sair de casa até poder me sustentar sozinha, e poder estudar ao mesmo tempo. Prefiro pagar faculdade, do que aluguel.

Tenho imensa dificuldade pra dormir fora de casa, e com alguém ao lado.

Não gosto de me expor

Não gosto de Rosa

Gosto de Jiló

Gosto de Cuscuz

Gosto de cachorro quente

Amo  minha mãe

Amo meus sobrinhos, troquei as fraldas dos dois.

Penso demais

Tinha um melhor amigo, e ele me faz muita falta. Não tenho com quem dividir minhas alegrias e minhas tristezas, não da forma como era com ele. Não tenho pra quem ligar de madrugada. Choro às vezes por isso. Vai fazer 1 ano que brigamos.

Nunca mais quero perder a vontade de viver. A pior sensação da minha vida. E tenho muito orgulho, por ter superado sozinha(...)

Tenho medo de perder o controle

Gosto de pessoas que me fazem querer ser melhor

Você me faz querer ser melhor

Quando meu primeiro PC, que era usado e estava caindo aos pedaços pifou. Fique mega triste.
Minha mãe comprou um novo depois de um mês, em 18 prestações, pra me deixar feliz.
E eu fiquei feliz

Com o primeiro salário, do meu primeiro emprego oficial, e o dinheiro da venda do antigo. Comprei o meu PC atual. Adoro ele.

Gosto de andar de meias pela casa.
Quis ser veterinária, publicitária, jogadora de handebol, mas aos 15, tinha certeza que queria um dia ser professora.

Quis ser escritora, não por ter talento, mas por admirar o trabalho.

Dos 12 aos 15... sofria muito, não gostava de ir a escola, era tímida, insegura, as crianças pegavam no meu pé

Fico feliz por não me sentir assim, me acho segura na maioria do tempo
(...)
Queria ser alta

Queria ter olhos verdes, meu pai e meu irmão tem, grande frustração da minha vida(a loka)

Gosto de churrasco, gosto de ajudar meu pai no churrasco, eu sou a favorita do meu pai. Mas ele não conversa muito comigo.

Gosto de cozinhar.

Gosto de futebol, handebol, basquete. De jogar inclusive.

Tenho que arrumar outro emprego

Não Gosto de mentira

Omito coisas desnecessárias, irrelevantes. Isso não é mentir.

Não gosto de correr. Por correr...

Sou bem humorada, mas um humor calmo, clássico.

Acordo de bom humor

Prefiro fazer sexo de manhã. Acordo muito animada.

Quero viajar, um dia

Não gosto de calor

Acho que as pessoas podem ser inteligentes de várias formas. Meu pai não completou a 4ª série, mas faz coisas que eu nem sonho em fazer.
Conheci um cara, que não gostava de estudar não estava nem aí pra escola, não falava bonitinho. Mas sabia da vida como ninguém.

Gosto de música.

Gosto de Pêra
Tenho medo de sofrer, por você.

Não digo que amo alguém desde..que terminei com meu namorado há 3 anos. Tenho dificuldade com essa frase.

Você me fez querer dizer novamente.

sábado, maio 19, 2012